A FIA Business School e a Levius Consulting desenvolveram uma simulação com 10 mil agentes de inteligência artificial voltada a analisar como informações e estratégias influenciam as preferências individuais ao longo de uma campanha. O cenário aplicado para os testes é a disputa de 2026 para o Governo do Estado de São Paulo.
Estrutura dos agentes e base de dados
Para compor a população virtual do experimento, os pesquisadores utilizaram microdados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2026. A amostragem contemplou variáveis como gênero, faixa etária, escolaridade, estado civil, raça e município ou região de residência dos perfis.
O desenvolvimento dos agentes computacionais utilizou o Qwen, família de modelos de inteligência artificial criada pela Alibaba Cloud. No projeto, a versão adotada conta com 14 bilhões de parâmetros em formato de código aberto (open source).
Dinâmica das rodadas da campanha simulada
O processo foi estruturado em 11 rodadas, período no qual foram contabilizadas 112.567 interações e 6.015 justificativas de voto. Ao longo das etapas, os agentes sintéticos recebem insumos como notícias, propagandas eleitorais e pesquisas de opinião, processando reações que modificam sua memória, percepção e comportamento.
Os concorrentes políticos também foram integrados ao ambiente computacional, com capacidade de rever táticas e responder aos desdobramentos de cada rodada. Em uma das execuções do modelo, 7.817 dos 10 mil agentes chegaram até a fase equivalente à votação nas urnas.
Natureza do modelo e outros usos previstos
A metodologia foi avaliada anteriormente de forma retrospectiva a partir de dados da eleição de 2022, mas o teste voltado a 2026 não envolveu confronto com eleitores reais. Diante disso, os realizadores enfatizam que os resultados obtidos não indicam intenção de voto nem configuram previsão eleitoral, consistindo apenas em respostas geradas sob premissas pré-fixadas de cálculo.
Segundo a FIA e a Levius, a tecnologia baseada em agentes sintéticos e dinâmicas de sistemas complexos tem potencial para ser expandida além do campo político, com aplicações no planejamento de políticas públicas, em estratégias corporativas e na observação de comportamentos sociais.