A demanda global por capacitores cerâmicos multicamadas (MLCCs) pode crescer 4,3 vezes entre 2025 e 2030, segundo estimativa do Goldman Sachs Research citada em relatório da Global X. No mesmo período, a capacidade mundial de fabricação desses componentes deve avançar entre 10% e 15% ao ano, ritmo que fica abaixo do aumento projetado no consumo.1

Com a pressão da demanda, o mercado global de MLCCs tem projeção de saltar de US$ 15 bilhões em 2025 para mais de US$ 30 bilhões em 2030. Os sistemas de inteligência artificial e data centers devem responder por cerca de 30% desse faturamento. Esse segmento requer itens de alta especificação técnica, capazes de suportar resistência térmica de pelo menos 105 graus Celsius durante o funcionamento, além de demandar maior capacidade elétrica em dimensões reduzidas.1

Consumo de capacitores cresce com novas arquiteturas

A transição de hardware eleva o volume de componentes empregados por placa. De acordo com estimativas da Aetrix, uma placa de computação convencional utiliza cerca de 2.500 MLCCs, enquanto a arquitetura Nvidia GB200 consome por volta de 6.500 unidades e a futura arquitetura Vera Rubin pode alcançar até 12 mil unidades. Em escala de bastidor, um rack GB200 NVL72 completo mobiliza entre 300 mil e 400 mil MLCCs, patamar que pode chegar a 600 mil capacitores nas gerações seguintes de hardware voltadas à tecnologia. O consumo energético acompanha esse salto: dados do Uptime Institute indicam que um rack Nvidia GB300 NVL72 demanda cerca de 142 quilowatts, aproximadamente 16 vezes mais energia do que a necessária para operar um rack de servidor tradicional.1

Concentração de fornecedores e prazos estendidos

Mais de 85% do suprimento global de MLCCs está concentrado em cinco companhias: a Murata, dona de 41% de participação, a Samsung Electro-Mechanics, com 23%, além de Taiyo Yuden, Yageo e TDK. Segundo levantamento da TrendForce, os prazos de entrega para os capacitores de alto desempenho já subiram de cerca de 8 para até 20 semanas. A abertura de novas linhas produtivas leva em média dois anos para começar a operar, o que limita a rapidez com que a indústria consegue ampliar a oferta.1

Pressão sobre o cronograma de expansão

Conforme projeção da Mirae Asset Securities, a restrição de fornecimento de MLCCs surge como risco emergente em 2026 e pode atingir um nível elevado a partir de 2027, impondo desafios ao ritmo de construção de data centers.1

“Para quem investe em empresas ligadas à inteligência artificial, acompanhar esses componentes ajuda a entender riscos que podem não estar refletidos imediatamente nos resultados ou nas expectativas para o setor”Flávio Vegas1