As ações da Cerebras recuaram quase 20% ao longo da semana e fecharam cotadas a US$ 166,43 na sexta-feira, registrando o menor patamar desde a abertura de capital da fabricante na Nasdaq em maio. A desvalorização ocorreu após a consultoria SemiAnalysis publicar no X que a OpenAI optará por unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia, e não por hardware da Cerebras, na operação do modo Ultrafast (ultrarrápido) do modelo GPT-6.1 Sol.1

Em resposta à publicação, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou no X que a Cerebras é uma parceira próxima e que ambas mantêm um engajamento profundo na fronteira da velocidade de processamento. A manifestação de Altman conteve parte do pessimismo imediato, fazendo os papéis da fornecedora de chips subirem quase 3% no pregão estendido.1

Pressão vendedora e desbloqueio de ações de executivos

Além das discussões sobre o hardware utilizado pela OpenAI, o mercado absorveu a liberação para venda de 19,4 milhões de ações pertencentes a diretores, executivos e detentores internos da Cerebras, volume que representa 8% do total de papéis da empresa. O processo de desbloqueio vinha ocorrendo gradualmente desde 19 de agosto, com lotes de até 14,6 milhões de ações disponibilizados a cada duas semanas.1

Em meio a essas liberações, o CEO da companhia, Andrew Feldman, e o CTO Sean Lie venderam conjuntamente mais de US$ 240 milhões em ações ordinárias classe A entre 20 de agosto e 25 de setembro.1

Trajetória de mercado e contrato bilionário

Com as perdas recentes, as ações da Cerebras acumulam uma desvalorização superior a 50% em relação ao salto visto logo após a sua estreia na bolsa. O valor de mercado da companhia sediada em Sunnyvale, na Califórnia, encolheu dos US$ 95 bilhões registrados no primeiro dia de negociação para pouco mais de US$ 39 bilhões.12

A oscilação ocorre a despeito de uma parceria comercial de grande porte fechada em janeiro, na qual a Cerebras firmou um contrato superior a US$ 10 bilhões com a OpenAI. O acordo prevê o fornecimento de 750 megawatts de capacidade de computação até 2028 para atender à infraestrutura do laboratório de inteligência artificial.1