A expansão global da inteligência artificial pode demandar investimentos entre US$ 5 trilhões e US$ 6,5 trilhões em infraestrutura de data centers até 2030, de acordo com estimativas da consultoria de gestão Bain & Company. O ritmo projetado exigirá a adição de quase 150 GW em nova capacidade computacional no mundo até 2030, o que praticamente triplica a capacidade instalada em um intervalo de cinco anos.231

Salto no consumo de energia e megaprojetos

O crescimento computacional terá impacto direto na matriz energética global, elevando o consumo anual de eletricidade dos centros de dados de 388 TWh para 1.288 TWh até o fim da década. Para acomodar esse volume, começam a ser planejados campi de data centers com capacidade igual ou superior a 5 GW, com aportes previstos entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões para cada empreendimento desse porte.21

Gargalos regulatórios e de infraestrutura

A execução dessas obras enfrenta limitações na cadeia de equipamentos, carência de mão de obra especializada, restrições no licenciamento e desafios de disponibilidade de energia. Além disso, obras de ampliação da rede de transmissão elétrica costumam exigir mais de quatro anos de execução. No primeiro semestre de 2026, entraves burocráticos e resistência de comunidades locais atrasaram ou inviabilizaram 75 projetos de data centers, somando US$ 130 bilhões em investimentos paralisados.21

Retorno financeiro e impacto regional

Para manter a sustentabilidade financeira dos investimentos pesados em infraestrutura, a economia da inteligência artificial precisará registrar um faturamento de aproximadamente US$ 6 trilhões por ano até 2031. Desse montante anual, estima-se que cerca de US$ 4,2 trilhões devam ser gerados por novos mercados e aplicações, abrangendo setores como saúde, pesquisa científica, robótica autônoma e inteligência artificial voltada ao mundo físico.21

Ao analisar as transformações no setor, Luis Díez, sócio da Bain & Company na América do Sul, avaliou a relação intrínseca entre as redes físicas e os modelos digitais, mencionando que a conjuntura traz oportunidades estruturais para o Brasil.1

“A economia da IA está entrando em uma fase em que infraestrutura e tecnologia passam a ser indissociáveis. O acesso à energia competitiva, capacidade computacional e conectividade será tão importante quanto o acesso aos próprios modelos”Luis Díez1
“Para o Brasil, isso representa uma oportunidade relevante, mas capturá-la exige transformar vantagens estruturais em condições concretas para novos investimentos”Luis Díez1