A aplicação de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos desperta apreensão entre o público brasileiro. De acordo com a 13ª edição da Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026, 45,7% dos entrevistados temem a perda de postos de trabalho e a precarização do processo criativo no setor. O levantamento colheu respostas de 7.115 participantes com idades entre 16 e 55 anos.
Direitos autorais e receio de jogos 'sem alma'
As questões legais e artísticas também aparecem com força nos resultados. A pesquisa aponta que 39,6% dos participantes se preocupam com violações de direitos autorais e o uso indevido de obras de criadores. Paralelamente, 38,4% dos jogadores entrevistados manifestaram receio de uma queda na qualidade geral dos lançamentos e da proliferação de produções rotuladas como 'sem alma'.
Disposição para o consumo e análise ética
Apesar das críticas, os dados revelam abertura comercial ao formato: 39,3% dos respondentes afirmaram que comprariam um game mesmo sabendo que parcelas expressivas de arte, dublagem e textos foram geradas por inteligência artificial. Um grupo adicional de 40,9% indicou que talvez consumisse títulos elaborados com o suporte dessa tecnologia.
A postura reflete um cálculo cauteloso por parte da comunidade. Mauro Berimbau, consultor da Go Gamers e professor da ESPM, avaliou que o público faz uma ponderação complexa em torno do uso ético das ferramentas, da dispensa de profissionais e do impacto real na qualidade das produções.
“O que acontece na prática é uma ponderação mais complexa, avaliando se o uso da IA foi feito de forma ética, se isso fez com que profissionais da área fossem substituídos pela tecnologia […] e se o uso dela fez com que a qualidade dos jogos caísse ou não”Mauro Berimbau1