O Google comunicou à Advocacia-Geral da União (AGU) a exclusão de 46 canais e 11 vídeos do YouTube que veiculavam conteúdos com falsos médicos gerados por inteligência artificial. A medida atendeu a uma notificação extrajudicial enviada pelo governo federal no início de setembro, que apontou a propagação de informações falsas sobre saúde, promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica. A empresa fundamentou a remoção em violações às diretrizes da plataforma, práticas de fraude e roubo de identidade.
Em resposta formalizada em 28 de setembro, a companhia explicou que outros 32 canais e 4 vídeos citados na solicitação já não estavam disponíveis no momento do recebimento, além de confirmar a desmonetização de dois canais. A iniciativa partiu de uma força-tarefa formada pela AGU, pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Os relatórios do caso foram encaminhados pelo Ministério da Saúde à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.
A ação do governo sucedeu uma apuração da BBC News Brasil, baseada em dados da entidade CTRL+Z e publicada em julho, que identificou 29 canais em língua portuguesa com médicos fictícios operando em escala de até dez vídeos diários, somando mais de 70 milhões de visualizações. Pelo menos cinco canais usaram sem autorização a imagem clonada por IA do otorrinolaringologista Hélio Brasileiro para sugerir supostos tratamentos naturais. O caso da clonagem biométrica gerou um inquérito no 3º Distrito Policial de Sorocaba, da Polícia Civil de SP, para averiguar crimes de falsidade ideológica, falsa identidade, falso alarme e tentativa de difamação.