O Papa Leão XIV reuniu-se com artistas e curadores no Vaticano em um evento organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, órgão da Cúria Romana competente para assuntos culturais e educativos. Durante o encontro, o pontífice declarou ser urgente estabelecer uma divisão clara entre a arte concebida por pessoas e aquilo que é gerado por máquinas.23

“Especialmente nesta era da inteligência artificial, torna-se urgente distinguir a arte humana daquilo que é produzido pelas máquinas”Papa Leão XIV2

Diferença ontológica e processos estatísticos

Ao analisar o avanço tecnológico, o Papa sustentou que existe uma diferença ontológica, anterior ao aspecto estético, que separa a arte humana das produções computacionais. Segundo Leão XIV, essas ferramentas operam a partir de cálculos estatísticos construídos com base em milhões de imagens de terceiros.2

“Faltam aos algoritmos a centelha do humano.”Papa Leão XIV2

Risco de uniformização cultural e proteção do ser humano

O pontífice manifestou a intenção da Igreja Católica de renovar sua aliança com artistas e instituições culturais para proteger o ser humano. Ele destacou a uniformização cultural como um dos grandes perigos trazidos pela tecnologia e pelo consumo, contrastando a criação genuína com o modelo dos mecanismos de busca, que tendem a entregar prioritariamente o que já existe ou o que o usuário procura.2

“Na era da tecnologia e do consumo, o grande perigo não é mais apenas a censura, mas a uniformização; não apenas o silêncio imposto, mas o ruído que torna impossível ouvir”Papa Leão XIV2

Posicionamentos anteriores sobre inteligência artificial

As limitações da tecnologia já haviam sido abordadas na encíclica Magnifica Humanitas, publicada em maio, na qual Leão XIV afirmou que os sistemas de inteligência artificial apenas imitam funções intelectuais humanas, sem dispor de experiência, consciência moral ou compreensão. Posteriormente, em 27 de setembro de 2026, durante voo de retorno a Roma após viagem oficial à França, o pontífice reiterou que os alertas de especialistas sobre os perigos da inteligência artificial não são notícias falsas e defendeu a regulamentação governamental do setor de tecnologia e chips.12