A inteligência artificial assumiu papel central nas discussões entre líderes políticos, investidores e ativistas durante a Semana do Clima de Nova York e as reuniões da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O avanço da tecnologia tem provocado preocupação direta sobre as metas ambientais globais, uma vez que Microsoft, Google e Meta registraram aumento nas emissões de gases de efeito estufa em decorrência da expansão da infraestrutura de data centers (centros de processamento de dados) necessária para operar modelos de IA.1

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursou na Assembleia Geral e ressaltou o papel ambivalente da tecnologia, apontando que os sistemas inteligentes tanto podem contribuir com soluções climáticas quanto aprofundar a crise existente.145

“A crise climática alimenta a instabilidade e os deslocamentos”António Guterres1
“A Inteligência Artificial pode ajudar a resolver todos esses desafios ou pode agravá-los.”António Guterres1

Cobrança sobre gigantes da tecnologia

O chefe de clima da ONU, Simon Stiell, enfatizou que os líderes da indústria de inteligência artificial enfrentam uma retração no apoio público. Stiell cobrou que as grandes empresas de tecnologia apresentem provas concretas de que os benefícios gerados pela IA superam os crescentes custos ecológicos associados ao setor.1

Fontes de energia e uso de usinas fósseis

Para suprir a expansão contínua de suas instalações, Google e Meta firmaram contratos com companhias de fontes renováveis e de baixo carbono, incluindo energia nuclear, geotérmica, eólica e solar. Apesar desses acordos, a urgência no fornecimento imediato de eletricidade levou à ativação de usinas movidas a gás natural, cujas operações contam com vida útil projetada para várias décadas.231

Fluxo de investimentos e prazos de transição

A necessidade energética dos servidores também transformou o perfil dos aportes financeiros globais. No primeiro semestre de 2026, o investimento de capital de risco em tecnologias climáticas somou 26 bilhões de dólares, avanço de 55% na comparação com o ano anterior, impulsionado pelo desenvolvimento de produtos voltados a data centers. Em contrapartida, os investimentos de risco destinados a combustíveis de baixo carbono e à gestão de carbono registraram retração no mesmo período.1

Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apontou que o planeta está próximo de ultrapassar a barreira de 1,5 °C de aquecimento em relação aos níveis pré-industriais. Diante desse cenário, a vice-presidente de energia e clima do MIT, Evelyn Wang, avaliou que o setor de data centers ainda levará cerca de uma década para deixar de elevar as emissões globais.16